Nitimur in vetitum
Quem for capaz de respirar na atmosfera dos meus escritos, terá aprendido o que é ar puro, ar salubre. É forçoso estar preparado para as alturas, de outro modo surge o perigo de enregelar. Pois o gelo nos cerca nas cumeadas, lá onde a solidão é indizível. Mas como repousam tranquilas todas as coisas na luz! Como se respira livremente! Quantas coisas aparecem abaixo de nós! A filosofia, como eu até agora a compreendi e a vivi, é o viver voluntariamente no meio do gelo e sobre as altas montanhas, procurar tudo quanto é estranho e problemático na existência, tudo quanto foi até agora condenado pela moral. Através de larga experiência, que pela peregrinação nos domínios interditos alcancei, aprendi a olhar as causas por virtude das quais até agora se moralizou e idealizou de modo muito diverso do que convinha: a história oculta dos filósofos, a psicologia dos grandes nomes da filosofia iluminou-se em mim. Quanta verdade pode um espírito suportar, quanta pode arriscar? Tal foi sempre o meu critério de valores. O erro (a crença no ideal) não é cegueira, o erro é cobardia… Cada conquista, cada passo em frente no conhecimento é consequência da coragem, da dureza contra si próprio, da «pureza» para consigo… Não refuto os ideais, calço simplesmente luvas perante eles… «Nitimur in vetitum», neste signo a minha filosofia há-de vencer um dia, porque até agora a verdade foi sistematicamente interdita.
Friedrich Nietzsche, in Ecce Homo
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- Published:
- September 6, 2007 / 12:37 pm
- Category:
- Nietzsche
- Tags:
- Ecce Homo, filosofia, Friedrich Nietzsche

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