Cerca-me um vazio absoluto

Cerca-me um vazio absoluto de fraternidade e de afeição. Mesmo os que me são afeiçoados não me são afeiçoados; estou cercado de amigos que não são meus amigos e de conhecidos que não me conhecem.

Sinto frio na alma; não sei como me agasalhar. Para o frio da alma não há manta nem capa. Quem o sente não se esquece.

Quer isto dizer que não tenho verdadeiros amigos? Não; eu tenho-os; mas não são meus amigos verdadeiros.
Ai daqueles que foram tocados do transcendental e a quem tudo dói por frio, inexpressivo e distante.

Fernando Pessoa, in Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal

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