Vingança

Ter um pensamento de vingança e realizá-lo significa apanhar um forte acesso de febre, mas que passa; ter, porém, um pensamento de vingança, sem força nem coragem para o realizar, significa trazer consigo um padecimento crónico, um envenenamento do corpo e da alma. A moral, que só olha para as intenções, avalia de igual maneira ambos os casos; em geral, considera-se o primeiro caso como pior (por causa das más consequências que o acto de vingança talvez traga consigo). Ambas as avaliações são de vistas curtas.

Friedrich Nietzsche, in Humano, Demasiado Humano

Talvez o homem não possa esquecer nada. A operação de ver e de conhecer é complicada demais para que seja possível apagá-la de novo inteiramente; ou seja, para todas as formas que foram produzidas uma vez pelo cérebro e pelo sistema nervoso repetir-se-ão, a partir daí, muitas vezes. A mesma actividade nervosa reproduz a mesma imagem.

Friedrich Nietzsche, in O Último Filósofo

A ânsia de uma orientação filosófica

A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio.
Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia. Não se satisfazer com elas, porém, e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, eis o anelo de uma vida filosóficamente orientada. E, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os homens: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.
São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio.

Karl Jaspers, in Iniciação Filosófica

Solitário

As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido.

Thomas Mann, in Morte em Veneza

Estava frio lá fora. Não sei como fui lá parar, nã…

Estava frio lá fora.
Não sei como fui lá parar, não me consigo lembrar. Mas estava muito frio lá fora.

Estavas ali. Eu vi, foram só uns segundos, mas eu vi-te.
Eras tu. Ainda consegui ouvir-te chamar por mim. Reconhecer(te) a voz.

O sangue congela.

Caí.

Estou de volta ao aconchego da cama.

Acho que perdi os sentidos.
E a sanidade também.

Necessário e inútil

Reconhecer a realidade como forma de ilusão, e a ilusão como forma de realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil.

Ele disse. E ele sabe o que diz.
Para além disso, nada.

Preciso de mais momentos de lucidez, como hoje.

É igualmente necessário, e igualmente inútil.

Special K

Now you’re back with dope demand
I’m on sinking sand.

No escaping gravity.

Vivo sempre no presente

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje – tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim.
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

9 Crimes

[Image by SubterfugeMalaises]

Leave me out with the waste
This is not what I do
It’s the wrong kind of place
To be thinking of you
It’s the wrong time
For somebody new
It’s a small crime
And I’ve got no excuse

Is that alright?
Give my gun away when it’s loaded
Is that alright?
If you don’t shoot it how am I supposed to hold it
Is that alright?
Give my gun away when it’s loaded
Is that alright
With you?

Leave me out with the waste
This is not what I do
It’s the wrong kind of place
To be cheating on you
It’s the wrong time
She’s pulling me through
It’s a small crime
And I’ve got no excuse

Is that alright?
Give my gun away when it’s loaded
Is that alright?
If you dont shoot it, how am I supposed to hold it
Is that alright?
If I give my gun away when it’s loaded
Is that alright
Is that alright with you?

Is that alright?
If I give my gun away when it’s loaded
Is that alright?
If you don’t shoot it, how am I supposed to hold it
Is that alright?
If I give my gun away when it’s loaded
Is that alright
Is that alright with you?

Is that alright?
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright with you?

No…

White & Nerdy

They see me mowin’
My front lawn
I know they’re all thinking I’m so white and nerdy

Think I’m just too white and nerdy
Think I’m just too white and nerdy
Can’t you see I’m white and nerdy?
Look at me, I’m white and nerdy

I wanna roll with
The gangstas
But so far they all think I’m too white and nerdy

Think I’m just too white and nerdy
Think I’m just too white and nerdy
I’m just too white and nerdy.
Really really white and nerdy.

First in my class here at MIT
Got skills, I’m a champion at D&D
MC Escher – that’s my favorite MC
Keep your 40, I’ll just have an Earl Grey tea
My rims never spin, to the contrary
You’ll find that they’re quite stationary
All of my action figures are cherry
Steven Hawking’s in my library

My MySpace page is all totally pimped out
Got people beggin’ for my top eight spaces
Yo, I know pi to a thousand places
Ain’t got no grillz but I still wear braces
I order all of my sandwiches with mayonnaise
I’m a whiz at Minesweeper – I could play for days
Once you see my sweet moves you’re gonna stay amazed
My fingers’ movin’ so fast I’ll set the place ablaze

There’s no killer app I haven’t run
At Pascal, well I’m number one
Do vector calculus just for fun
I ain’t got a gat but I got a soldering gun
Happy Days is my favorite theme song
I could sure kick your butt in a game of ping pong
I’ll ace any trivia quiz you bring on
I’m fluent in JavaScript as well as Klingon
Here’s the part I sing on

They see me roll on
My Segway
I know in my heart they think I’m white and nerdy

Think I’m just too white and nerdy
Think I’m just too white and nerdy
Can’t you see I’m white and nerdy
Look at me, I’m white and nerdy

I’d like to roll with
The gangstas
Although it’s apparent I’m too white and nerdy

Think I’m just too white and nerdy
Think I’m just too white and nerdy
I’m just too white and nerdy
How’d I get so white and nerdy

I’ve been browsin’, inspectin’
X-Men comics, you know I collect ’em
The pens in my pocket, I must protect ’em
My ergonomic keyboard never leaves me bored
Shopping online for deals on some writable media
I edit Wikipedia
I memorized Holy Grail really well
I can recite it right now and have you R-O-T-F-L-O-L

I got a business doing websites
When my friends need some code, who do they call?
I do HTML for ’em all
Even made a homepage for my dog
Yo, I got myself a fanny pack
They were havin’ a sale down at The Gap
Spend my nights with a roll of bubble wrap
Pop, pop, hope no one sees me
Gettin’ freaky

I’m nerdy in the extreme
And whiter than sour cream
I was in AV Club and Glee Club and even the Chess Team
Only question I
Ever thought was hard
Was do I like Kirk
Or do I like Picard
Spend every weekend at the Renaissance Fair
Got my name on my underwear

They see me strollin’
They laughin’
And rollin’ their eyes ’cause I’m so white and nerdy

Just because I’m white and nerdy
Just because I’m white and nerdy
All because I’m white and nerdy
Holy cow, I’m white and nerdy

I wanna bowl with
The gangstas
But, oh well, it’s obvious I’m white and nerdy

Think I’m just too white and nerdy
Think I’m just too white and nerdy
I’m just too white and nerdy
Look at me, I’m white and nerdy

<3!