Tu que não crês, nem amas, nem esperas

Tu que não crês, nem amas, nem esperas,
Espírito da eterna negação,
Teu hálito gelou-me o coração
E destroçou-me da alma as primaveras…

Atravessando regiões austeras,
Cheias de noite e cava escuridão,
Como num sonho mau, só oiço um não,
Que eternamente ecoa entre as esferas…

– Porque suspiras, porque te lamentas,
Cobarde coração? Debalde intentas
Opor à Sorte a queixa do egoísmo…

Deixa os tímidos, deixa aos sonhadores,
A esperança vã, seus vãos fulgores…
Sabe tu encarar sereno o abismo!

Antero de Quental, Estoicismo

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