Sem Remédio

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Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca, Sem Remédio

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2 thoughts on “Sem Remédio

  1. Florbela Espanca… O que eu não dava para ter umas horas de conversa com essa mulher, tête à tête… :P

    E arrepiou porquê? :$ demasiado à stalker…? xD naquela… estava a tentar passar para a escrita a minha ideia de relação perfeita (ou pelo menos uma aproximação), mas infelizmente tenho uma ideia demasiado clara e pormenorizada para o que é na verdade a realidade… Oh well.
    (sorry, rant de pessoa que está farta de mentiras, falsas esperanças e que mais >.< ) *

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