I Miss

I miss hate, I miss war,
I miss killing people, and I miss the point.

Hold me down, ’cause I can’t stop myself,
Hold me down, and I’ll repress myself.

I miss religion, I miss dictators,
I miss their reasons, I miss the point.

Hold me down, ’cause I can’t stop myself,
Hold me down, and I’ll repress myself,
Hold me down, but I won’t be baiden,
Hold me down from this wealth of treason.

There’s no way you’ll ever convince me,
There’s no way you’ll ever convince me,
There’s no way you’ll ever…

Hold me down, ’cause I can’t stop myself,
Hold me down, and I’ll repress myself,
Hold me down, but I won’t be baiden,
Hold me down from this wealth of treason,
Hold me down, ’cause I can’t stop myself,
Hold me down, and I’ll repress myself,
Hold me down, but I won’t be baiden,
Hold me down from this wealth of treason.

Sunna – I Miss

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frágil

É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!

É frágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,

Começo a conhecer-me.

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Alvaro de Campos

Letting the Cables Sleep

Whatever you say it’s alright
Whatever you do it’s all good
Whatever you say it’s alright

Silence is not the way
We need to talk about it

If heaven is on the way
We’ll wrap the world around it
If heaven is on the way

And for a minute there, I lost myself

I’ve given all I can
It’s not enough
I’ve given all I can
But we’re still on the payroll

And for a minute there, I lost myself, I lost myself
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
For for a minute there, I lost myself, I lost myself
For for a minute there, I lost myself, I lost myself

Je ne sais quoi

Por vezes existe nas pessoas ou nas coisas um charme invisível, uma graça natural que não pôde ser definida, a que somos obrigados a chamar o «não sei o quê». Parece-me que é um efeito que deriva principalmente da surpresa. Sensibiliza-nos o facto de uma pessoa nos agradar mais do que deveria inicialmente e somos agradavelmente surpreendidos porque superou os defeitos que os nossos olhos nos mostravam e que o coração já não acredita. Esta é a razão porque as mulheres feias possuem muitas vezes encantos que raramente as mulheres belas possuem, porque uma bela pessoa geralmente faz o contrário daquilo que esperávamos; começa a parecer-nos menos estimável. Depois de nos ter surpreendido positivamente, surpreende-nos negativamente; mas a boa impressão é antiga e a do mal, recente: assim, as pessoas belas raramente despertam grandes paixões, quase sempre restringidas às que possuem encantos, ou seja, dons que não esperaríamos de modo nenhum e que não tinhamos motivos para esperar.
Os encantos encontram-se muito mais no espírito do que no rosto, porque um belo rosto mostra-se logo e não esconde quase nada, mas o espírito apenas se mostra gradualmente, quando quer e do modo que quer; pode esconder-se para surgir de novo e proporcionar essa espécie de surpresa que constitui os encantos.

Baron de Montesquieu, in Ensaio Sobre o Gosto

Renego tudo.

Súbita, uma angústia…
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo, das cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço…

Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.

Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago
e na circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir.
Arre!
Vou existir.
E-xis-tir…
E–xis–tir …

Meu Deus!
Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, sem liberdade,
Sem nexo.

Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber, que não tenho sede!

Alvaro de Campos, in Bicarbonato de Soda

Verdade

Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
A princípio, quando me apercebia de tais situações, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a pôr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Johann Wolfgang von Goethe, in Máximas e Reflexões

demasiado humana

Deslizo para esta solidão demasiado humana de não poder voltar a ser sozinho, como era quando tu existias, nesta mesma cidade, e eu já nem sequer pensava em ti.

Wise Up

No, it’s not going to stop.