A vida..

.. desgosta-me como um remédio inútil. E é então que eu sinto com visões claras como seria fácil o afastamento deste tédio se eu tivesse a simples força de o querer, deveras, afastar.

Bernardo Soares (Fernando Pessoa), in Livro do Desassossego

Advertisements

O Presente inexistente

Nunca nos detemos no momento presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos, e não pensamos no único que nos pertence; e tão vãos, que pensamos naqueles que não são nada, e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste.

É que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige; e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir. Tentamos segurá-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão, para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.

Blaise Pascal, in Pensamentos

Singing in the rain..

Doo-dloo-doo-doo-doo
Doo-dloo-doo-doo-doo-doo
Doo-dloo-doo-doo-doo-doo
Doo-dloo-doo-doo-doo-doo…

I’m singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feelin’
I’m happy again
I’m laughing at clouds
So dark up above
The sun’s in my heart
And I’m ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I’ve a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just singin’,
Singin’ in the rain

Dancin’ in the rain
Dee-ah dee-ah dee-ah
Dee-ah dee-ah dee-ah
I’m happy again!
I’m singin’ and dancin’ in the rain!

I’m dancin’ and singin’ in the rain…


Feel like doing this all night long.

Não digamos..

.. Amanhã farei, porque o mais certo é estarmos cansados amanhã, digamos antes, Depois de amanhã, sempre teremos um dia de intervalo para mudar de opinião e projecto, porém ainda mais prudente seria dizer, um dia deciderei quando será o dia de dizer depois de amanhã, e talvez um dia preciso, se a morte definidora vier antes desobrigar-me do compromisso, que essa, sim, é a pior coisa do mundo, o compromisso, liberdade que a nós próprios negámos…

José Saramago, in O Ano da Morte de Ricardo Reis

Mechanical Animals

We were neurophobic
And perfect
the day that we lost our souls
maybe we weren’t so human
If we cry we will rust
And I was a hand grenade
That never stopped exploding
You were automatic and
As hollow as the “o” in god

I never gonna be the one for you
I never gonna save the world from you
But they’ll never be good to you
Or bad to you
They’ll never be anything
Anything at all

You were my mechanical bride
You were phenobarbidoll
A manniqueen of depression
With the face of a dead star
And I was a hand grenade
That never stopped exploding
You were automatic and
As hollow as the “o” in god

I never gonna be the one for you
I never gonna save the world from you
But they’ll never be good to you
Or bad to you
They’ll never be anything
Anything at all

This isn’t me I’m not mechanical
I’m just a boy
Playing the suicide king