Until it Sleeps

Where do I take this pain of mine
I run but it stays right by my side

So tear me open and pour me out
There’s things inside that scream and shout
And the pain still hates me
So hold me until it sleeps

Just like the curse, just like the stray
You feed it once and now it stays
Now it stays

So tear me open but beware
There’s things inside without a care
And the dirt still stains me
So wash me until I’m clean

It grips you so hold me
It stains you so hold me
It hates you so hold me
It holds you so hold me
Until it sleeps

So tell me why you’ve chosen me
Don’t want your grip, don’t want your greed
Don’t want it

I’ll tear me open make you gone
No more can you hurt anyone
And the fear still shakes me
So hold me, until it sleeps

It grips you so hold me
It stains you so hold me
It hates you so hold me
It holds you, holds you, holds you
until it sleeps (x4)

I don’t want it, I don’t want it, want it, want it, want it, want it, noo..

So tear me open but beware
There’s things inside without a care
And the dirt still stains me
So wash me ’till I’m clean

I’ll tear me open make you gone
No longer will you hurt anyone
And the hate still shames me
So hold me
until it sleeps (x5)

Gotas de chuva

Agora, as gotas de chuva que caem sobre a piscina, espaçadas e imprevisíveis, parecem-me a imagem que melhor descreve aquilo que existe dentro de mim e, no entanto, sei que se me sentasse a imaginar uma imagem concreta para este sentimento, nunca me lembraria desta visão simples, aqui, à minha frente: gotas de chuva a caírem sobre a piscina.

A minha idade irá parar no momento em que partires. Será uma espécie de morte cinzenta. Serás tu que partes, mas serei eu que desapareço. Para onde fores, haverá pessoas, que já existem agora, que respiram. No teu caminho, serão como pontos intermitentes de brilho. Talvez fales para essas pessoas, talvez elas te chamem pelo nome. Para onde fores, haverá mundo e vida. Aqui, continuará apenas a varanda onde estou: um balcão inútil sobre esta paisagem que se dissolverá numa cor única assim que partires. Sem surpresas, passarei a mão pelo cimento. Essa será uma carícia imaginária e desperdiçada.

Mas isso será depois, quando existirem lâminas em todas as lembranças, incêndios, horas suspensas e irreversíveis. Agora, estou aqui e ainda não partiste. A despedida já começou em cada palavra porque sei imaginar o silêncio, conheço-o. Engano-me a acreditar que só eu conheço o silêncio. Como em tantas outras tragédias banais, a mentira é um consolo, é sobrevivência. E ainda não partiste, eu ainda estou aqui. Dentro de mim, gotas de chuva caem sobre uma superfície lisa de água, misturam-se com ela e perturbam-na desde o seu interior, desenham uma organização impossível de círculos que se alargam e colidem. Agora, o céu triste. Agora, a tranquilidade. Gotas de chuva caem sobre a piscina.

José Luis Peixoto

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